Mudando de escola, novamente…

Quando Gabrielle entrou em idade de ir para escolinhas, e até por motivo de trabalho, começamos a procurar onde colocá-la. Aqui na cidade não encontramos nada que pudesse ser aceitável, nem mesmo particulares, muito menos público.

Então, por três anos a levamos todos os dias para a cidade vizinha, a 35 km de distância. Aproveitou para fazer natação também.

Para o seu quarto ano de escola, quando iria entrar na primeira série, isso não seria mais possível, pois a minha esposa estava esperando bebê e estas viagens diárias seriam muito complicadas com um bebê pequeno. Por sorte, abriram uma escola melhor na nossa cidade, com material apostilado de um grande grupo de Minas Gerais. Agora sim! O material apostilado desta rede é muito bom, bem didático, elaborado por especialistas. Se os professores forem bem preparados para seu uso o resultado será muito bom.

Infelizmente a escola não tem investido muito em divulgação, muito menos na melhora de sua infraestrutura. Isso não tem atraído muitos alunos, especialmente para o ensino fundamental. Para o pré-escolar está tudo bem, pois não há opção viável na esfera pública. Mas para o ensino fundamental, há? Por incrível que pareça, para as pessoas da cidade, há sim! Chegam a ficar até 5 dias na fila para conseguir vaga (dizem que depois sempre acaba sobrando vagas, mas sei lá) na escola Estadual. Na municipal tem vagas, mas é a escola para os pobres. Há uma segregação velada e tosca, onde quem tem mais condições estuda na escola Estadual e quem tem menos condições estuda na escola Municipal. Isso permanece até o Ensino Médio, quando os de melhores condições passam a estudar de manhã e os de menos condições estudam de tarde juntamente com o pessoal que vem de ônibus do interior. Claro que vão dizer que não é assim. Também não tenho absoluta certeza, apenas ouvi comentários de quem já estudou nestas escolas e de outras pessoas da cidade. Sempre há dois lados, não é mesmo?

O mais esquisito é haver um movimento para impedir que os alunos que tem condições saiam da escola estadual e vão para a particular.

Bom, o caso é que aparentemente só havia a Gabrielle matriculada nesta nova escola agora para o seu terceiro ano. E com apenas uma aluna o proprietário não consegue manter a turma. Eu não sou administrador e não vou querer ensinar alguém a administrar seu negócio, mas imagino que não seja um bom marketing fechar turmas justamente no nível de ensino que planeja emplacar. Enfim, estamos num beco sem saída e é muito provável que voltemos a levar a Gabrielle para a cidade vizinha. E com ela vai a Isabela.

É aí que entra minha busca pelas informações sobre as escolas da região. Uma pena as escolas particulares não terem IDEB, embora saibamos muito bem como elas tem usado o ENEM para sua promoção. Na rede pública aqui, para os anos iniciais (1o. ao 5o. ano) há uma grande diferença entre o IDEB da escola Estadual (7,4) e Municipal (6,1). Muito provavelmente um reflexo da segregação velada que existe na distribuição das vagas e o número de alunos matriculados. Para os anos finais do Ensino Fundamental (6o. ao 9o. ano) há uma queda bem acentuada no IDEB em ambos os casos. Percebi que esta queda é recorrente. Não sou da área de educação para tecer maiores comentários sobre isso, mas há grandes diferenças para os alunos entre um nível e outro, incluindo o ensino mais fragmentado de diferentes disciplinas com professores distintos.

O fato é que não nos esforçamos estudando em escolas públicas e ralando em nossa meritocracia para chegar onde chegamos e deixar nossas filhas na mesma escola. Consideramos educação algo prioritário. Não temos planos de acumular riquezas ou capital para que elas herdem quando morrermos. Aplicaremos o que for necessário para que elas possam alcançar o que não alcançamos, com menos dificuldades. Sabe, a tal meritocracia. Por isso é muito provável que ela volte a ir para a outra cidade.

Significa que eu estou desdenhando do ensino da rede pública do município? Não é desdém, é constatação. Há uma reclamação geral de que os estudantes do município não conseguem entrar na Universidade Federal que tem um campus em sua cidade! Oras, como não conseguem? Até queriam que tivesse cotas específicas para o povo da cidade. Não conseguem e reclamam, mas na hora de decidir que cursos iriam ser abertos aqui, ninguém queria licenciaturas, queriam odontologia, direito, engenharia civil, etc. De qualquer modo é chover no molhado dizer que o ensino básico privado é melhor. O ensino público tem melhorado, mas leva tempo para deslocar a média em direção a melhores resultados. Quando se trata de serviços para massa como educação ou saúde pública, mudanças demoram muito para surtir efeito, e as boas estratégias que funcionam em um caso nem sempre funcionam em outro.

Não podemos nos contentar com menos. Temos as condições. A construção da casa vai ter que esperar um pouco mais, mas isso é mais importante. Como dissemos desde o início, é o custo Rio Paranaíba. E pensar que tudo poderia ser diferente se poucas pessoas conseguissem ver um pouco mais além das aparências e das intrigas pessoais para colocarem suas crianças numa escola melhor. Paciência…

 

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