As especialidades da Veja

Esta também é antiga, de 2009. Ficou perdida nas idas e vindas do blog em outras plataformas. Fiz alguns ajustes, mas sem mudar o teor. Depois você pode completar a frase: a especialidade da revista Veja é…

No blog “Brontossauros em meu Jardim” foi publicado um artigo interessante no último dia 22 [22 de Abril de 2009], bem de encontro com meus vários textos sobre as incoerências dos artigos de divulgação científica, especialmente os escritos por jornalistas. Vou pedir licença ao Carlos Hotta para expor aqui também o caso, mas vou deixar os detalhes para quem quiser visitar o seu blog.

Fato 1: a revista Veja publicou um infográfico com um erro grotesco de genética, representando um gene por bolinhas como se ele fosse uma ponte de hidrogênio na molécula de DNA (sim, aquelas pontes de hidrogênio que ligam uma base nitrogenada de uma fita de DNA na outra);

Fato 2: Um leitor do blog, escreveu um email bastante coerente, sugerindo uma errata, corrigindo o infográfico e indicando imagens melhores;

Fato 3: A revista Veja respondeu:

“Por não ser uma revista científica, VEJA pode sim representar os genes como bolinhas. Cometeríamos erro se tivéssemos trocado os genes pelo DNA ou coisas do gênero.”

Certo.

Eu repito a melhor parte: “Cometeríamos erro se tivéssemos trocado os genes pelo DNA ou coisas do gênero”.

A Veja não é uma revista científica, logo pode fazer o que quiser sobre ciência. Ou seja, não é confiável quando se trata de ciência. Bom, mas a Veja também não é uma revista política, logo pode escrever o que quiser sobre este assunto. Assim, também não é confiável quando o assunto é política. A Veja também não é uma revista de cultura, logo também não é confiável quando o assunto é cultura.

Por que a Veja não fecha logo as portas, pois, ao que parece, sua única especialidade é em enganar os leitores escrevendo qualquer bobagem e esperando que eles acreditem? O pior é que muitos acreditam e ainda assinam!

Ora, Veja. Se não tem capacidade de escrever algo sobre ciência, não escreva! Não vai fazer falta. Precisamos de meios informativos realmente informativos.

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