LaGEEvo – 5 anos

Correria de final de semestre (letivo), relatório de bolsas de IC, projetos de TCC, mestrado e doutorado e mais burocracias do MEC para reconhecimento do curso nos fizeram esquecer de um detalhe importante. O Laboratório de Genética Ecológica e Evolutiva (LaGEEvo) do campus de Rio Paranaíba da UFV está completando 5 anos!

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Olhar para o laboratório hoje, cheio de equipamentos, reagentes e alunos em um espaço razoável dentro de um campus que está em implantação faz parecer que as coisas caem do céu. Realmente não há espaço disponível para que cada pesquisador tenha seu laboratório, muito menos receba um equipado, pelo menos não neste momento. Assim, não é difícil alguém chegar no meio do caminho e pensar “como é que ele está com tudo montado e eu não um espaço para montar o laboratório, bancadas, equipamentos?”. A questão é que as coisas não caem do céu.

Em 2007 ingressei na UFV para lecionar no Campus de Rio Paranaíba. Dentre os primeiros professores contratados para o Campus imediatamente participei da elaboração de um projeto que naquele ano foi encaminhado ao FINEP para a construção de um prédio de laboratórios de pesquisa. Fomos contemplados, assim como no ano seguinte fomos contemplados com o segundo andar. Em teoria, portanto, desde 2007 o espaço do nosso laboratório está previsto na implantação do campus. O espaço do laboratório da FINEP é uma novela que deve ser contada em outro capítulo. Até hoje o prédio não está pronto. Desde 2007 também, o campus já contava com alguns equipamentos que permitiriam o início das atividades de pesquisa básica na área de citogenética – microscópios, banho-maria, estufa e fotomicroscópio.

Assim que entrei na UFV fui me informar sobre a orientação em programas de pós-graduação. Qual a documentação necessária, as burocracias, etc. Tentei me credenciar nos dois programas mais relacionados com minha área – Genética e Melhoramento, e Biologia Animal. Da Genética e Melhoramento recebi uma recusa, afirmando que eu não dispunha ainda de laboratório e infraestrutura. Anos mais tarde, já com laboratório e infraestrutura tentei novamente e novamente fui recusado, nem lembro mais por qual desculpa. Mas esta é uma outra história.

Em 2008 fui credenciado no curso de Pós-Graduação em Biologia Animal e em Agosto do mesmo ano tive meu primeiro aluno matriculado. Também em meados de 2008 tivemos a primeira cota de bolsas de Iniciação Científica (PIBIC – CNPq) do campus, bem como a primeira cota de bolsas de Iniciação Científica Júnior (para estudantes do Ensino Médio). Todos eles iniciaram suas atividades em Agosto.

É por isso que podemos dizer que o nascimento do laboratório foi em Agosto de 2008, com a entrada dos primeiros bolsistas e do primeiro estudante de pós-graduação. Entretanto, o espaço físico do laboratório ainda não existia. As primeiras atividades do Laboratório de Genética Ecológica e Evolutiva aconteceram no laboratório de microscopia do Campus de Rio Paranaíba.

O principal fator que fez com que finalmente tivéssemos um espaço adequado foi a aprovação do primeiro projeto junto à FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais). Foram pouco menos de 50 mil reais que permitiram adquirir boa parte dos equipamentos que temos até então, bem como os reagentes necessários para dar um passo maior nas atividades do laboratório. Com isso a abrangência de nossa pesquisa foi aumentando.

Em Abril de 2009 tivemos nosso primeiro espaço próprio. Nesta época já tínhamos mais bolsistas de Iniciação Científica e voluntários. Também nesta época, a minha esposa, Karine Frehner Kavalco, fazia pós-doutorado sob supervisão do prof. Jorge Dergam da UFV – Sede e desenvolvia os trabalhos no LaGEEvo, agora já estruturado para desenvolver atividades diversas. Ainda em 2009 aprovamos o segundo projeto junto à FAPEMIG, permitindo adquirir os demais equipamentos que ainda faltavam. Também conseguimos junto ao campus de Rio Paranaíba a complementação do sistema de fluorescência do fotomicroscópio e outros equipamentos básicos.

Enfim, trabalho terminado e o primeiro espaço exclusivo do LaGEEvo arrumado.

Enfim, trabalho terminado e o primeiro espaço exclusivo do LaGEEvo arrumado.

Em 2010 abrimos o curso de Ciências Biológicas no campus de Rio Paranaíba. Com ele vieram novos professores. A Karine ministrou aulas como voluntária no primeiro semestre até ser aprovada no concurso e tomar posse no meio do ano. A partir de então éramos dois orientadores com vários bolsistas de Iniciação Científica, Iniciação Científica Júnior, mestrado e voluntários dentro de um espaço de 25m2. Ainda neste ano intensificamos as atividades de extensão, com o jornal Folha Biológica e o programa Rock com Ciência. Tudo funcionando dentro deste espaço minúsculo.

Em 2011 conseguimos ampliar o laboratório. Já eram cerca de 30 alunos e dois docentes dividindo um espaço ínfimo. O cronograma de trabalho precisava ser efetivamente cumprido para que todos pudessem desenvolver suas atividades. Em 2012 iniciamos uma nova linha de pesquisa, em melhoramento de cultivos de inverno. O motivo de entrar nesta linha de pesquisa é, mais uma vez, outra história. Também marca o início da divisão do laboratório, surgindo o LGA – Laboratório de Genética Aplicada.

No início de 2013 a profa. Mónica Sonia Rodriguez ingressou no Campus. Como ela é da área de ictiologia, foi incorporada ao laboratório e será a responsável pela coleção de vertebrados que temos mantido e organizado desde então. Assim, surge agora uma nova ramificação do LaGEEvo, ainda sem nome, que tratará do Museu de Vertebrados do Campus de Rio Paranaíba. Na realidade, o laboratório já está cadastrado como coleção biológica junto ao SiBBr (Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira) e neste momento estamos com um trabalho em andamento para informatizar e disponibilizar publicamente o acervo da coleção. Tudo que havíamos planejado no projeto que teve seu financiamento recusado pelo CNPq. Esta, na verdade, é uma outra história que já foi contada.

Enfim, foram cinco anos de muito trabalho. Apesar de tímidos, já temos publicações dos resultados do laboratório. Aos poucos estamos nos organizando para publicar trabalhos mais consistentes, algo já possível com a atual infraestrutura disponível e com o nível de preparo de nossos alunos. Estamos pleiteando novos espaços, é claro. Afinal, já são três docentes (dois deles já credenciados em programas de pós-graduação e outro em processo de credenciamento) atuando em três programas de pós-graduação, dezenas de estudantes e pelo menos três maiores linhas de pesquisa. Isso sem contar as atividades de extensão, que continuam e precisam de espaço.

Minha lógica de raciocínio em se tratando de trabalho sempre foi mostrar resultados com o que se tem, para depois poder começar a fazer demandas. Alguns podem achar que ganhei tudo sem nenhum esforço. Temos alguns equipamentos adquiridos pelo Campus de Rio Paranaíba, sim, mas já coloquei no laboratório do Campus, em verbas obtidas da FAPEMIG e Fundação Grupo Boticário, uns 20% a mais do que a contrapartida do Campus.

Chegamos, então, aos cinco anos de LaGEEvo (mandamos fazer blusas em comemoração e a festa foi no último fim de semana). Muitas conquistas, muita luta e muito ainda por fazer.

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