Quem são os Pesquisadores do CNPq?

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Um amigo postou no Facebook um texto do blog de Adonai Sant’Anna. Achei bem interessante e ia responder diretamente na rede social, mas como ficou um tanto extenso e eu sei que as coisas por lá somem, achei melhor fazer uma resposta no blog.

Adonai faz uma rápida análise do perfil de 13 pesquisadores bolsistas Produtividade em Pesquisa nível 1A do CNPq na área de Filosofia.

É importante salientar que o CNPq concede tais bolsas a alguns pesquisadores em diversas áreas do conhecimento, divididos em níveis 1 e 2. Estas bolsas têm prazo de encerramento e devem ser renovadas através da submissão de novas propostas periodicamente. Dentro de cada área existem cotas para cada nível. No nível 1 existe ainda uma gradação – A, B, C e D, sendo nível 1A os maiores pesquisadores do país, separados por áreas de atuação, avaliados por Comitês Assessores.

Adonai analisa os currículos dos pesquisadores em relação principalmente à suas publicações indexadas no Web of Knowledge (WoK), que detém o tão comentado Fator de Impacto. O próprio autor destaca que embora haja periódicos bons e importantes fora do WoK e que haja periódicos ruins indexados pelo mesmo, esta é uma ferramenta bastante adequada para comparações de publicações e citações em nível internacional. Em um momento em que se fala muito da internacionalização da ciência brasileira, nada mais adequado que usar os parâmetros que são utilizados internacionalmente.

Para ser pesquisador nível 1 (em qualquer área), o pesquisador será enquadrado em quatro diferentes níveis (A, B, C ou D), com base comparativa entre os seus pares e nos dados dos últimos 10 (dez) anos, entre eles o que demonstre capacidade de formação contínua de recursos humanos. Nas suas normas, o CNPq ainda destaca que o pesquisador 1A “deve, na maior parte dos casos, extrapolar os aspectos unicamente de produtividade para incluir aspectos adicionais que mostrem uma significativa liderança dentro da sua área de pesquisa no Brasil e capacidade de explorar novas fronteiras cientificas em projetos de risco.”

Para o nível 1 do Comitê Assessor de Filosofia (o CNPq complicou colocar link com um sistema em Java, mas acesse aqui e encontrará as normas do Comitê Assessor de Filosofia, entre outros), além destes existem outros critérios de avaliação:

“O parâmetro que orienta a classificação dos bolsistas é a excelência acadêmica, conjugada com liderança intelectual, presença institucional, inserção nacional/internacional e capacidade de formação dos pesquisadores. As categorias 1A e 1B classificam o pesquisador que, segundo o perfil acima definido, realize plena e equilibradamente as atividades de ensino e pesquisa, bem como os requisitos de liderança intelectual, presença institucional e inserção nacional / internacional.”

Ou seja, quem define os critérios são membros da própria área de atuação e, pelo visto, dentro da área de filosofia os critérios estabelecidos pelo Web of Knowledge não são os mais importantes. Adonai fecha sua análise argumentando que “Em suma, salvo raríssimas exceções, os pesquisadores nível 1A do CNPq em filosofia estão isolados demais do mundo. Isso, na prática, reflete em isolamento do Brasil. Afinal, essa gente exerce considerável influência sobre jovens universitários”.

Achei a análise bastante interessante, mas acho que faltou uma comparação com o profissional acadêmico médio, que não tem bolsa produtividade em pesquisa 1A (e nenhuma outra). Seria um disparate que estes tivessem bolsa e pesquisadores com maior influência internacional através do WoK não. Uma vez que é bem provável que não sejam encontrados pesquisadores da área de filosofia que atendam a critérios mais rígidos de internacionalização, o Comitê Assessor não define critérios rígidos. Na prática, é uma bola de neve, um círculo vicioso em que se premia o status quo e não uma meta ou objetivo.

Vejamos os critérios de outro Comitê Assessor (no caso, da Genética), para não dizer que toda a ciência do Brasil está indo pelo ralo:

“2.3. Critérios para progressão os níveis 1C , 1B e 1A:

Para ser classificado nestes níveis o pesquisador deverá satisfazer os seguintes requisitos mínimos, no decênio anterior:

a) ter publicado pelo menos 20 (vinte) trabalhos em periódicos científicos, de preferência como autor principal ou correspondente (primeiro ou último autor), com fator de impacto igual ou superior a 1,5;

b) serão valorizados publicações de trabalhos científicos em periódicos científicos, de preferência como autor principal ou correspondente (primeiro ou último autor), com fator de impacto igual ou superior a 3,0;

c) estar em atividade contínua de pesquisa e de orientação de Doutorandos e/ou  Pós-Doutores, tendo concluído a orientação de Mestres e Doutores de forma continuada. Espera-se que o pesquisador sênior aceite candidatos anualmente.

d) ter linha de pesquisa definida e apresentar projeto de pesquisa de mérito científico, conforme avaliação do CA com base nos pareceres dos consultores ad hoc.

e) atingir classificação compatível com a cota de bolsas disponíveis nesta categoria.”

Vejam que neste caso a coisa é diferente. Exige-se, na Genética, que o pesquisador 1A tenha no mínimo uma média de 2 artigos publicados como primeiro ou último autor (normalmente se coloca o orientador ou o pesquisador mais importante do grupo como último autor) em revistas indexadas no WoK com Fator de Impacto mínimo de 1,5.

É claro que isso acontece na Genética pois são critérios que os pesquisadores mais antigos se encaixam, e isso também serve para manter o status quo, da mesma forma que serve para dificultar o acesso dos pesquisadores mais novos. Ou seja, as realidades de Genética e Filosofia são diferentes, são distintas. Agora, será que os critérios da Filosofia não são os mesmos utilizados fora do Brasil? São áreas bastante distintas, será que podem usar os mesmos critérios?

Esta é uma discussão extensa e árdua, mas que uma hora dessas vai precisar ser realizada para se priorizar a destinação de recursos, cada vez mais escassos. O que queremos é alcançar o nível internacional padrão? Já adianto para futuras discussões que jogar os números do montante investido pelo Brasil em relação às publicações e citações obtidas é simplório, pois as dificuldades para se comprar um equipamento ou um reagente são bastante diferentes de outros países, bem como as burocracias necessárias para isso. Entretanto, como eu disse, são discussões futuras.

 

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