Diferenças em propostas de pesquisa

Acompanhando uma submissão de projeto para continuidade de uma pesquisa do laboratório aqui de Leicester. É um grande projeto, com vários colaboradores internacionais. Não é exatamente na nossa área, então apenas acompanhamos mesmo.

É muito interessante notar o estilo da proposta. Bem diferente do que estamos acostumados no Brasil. Eu já conhecia algo parecido pois já julguei proposta de agência de fomento norte-americana e era bem dessa forma. O foco é nos resultados obtidos até então e nos próximos passos.

Ano passado encaminhamos proposta à Royal Society nesse estilo. Infelizmente não foi aprovada, mas foi um aprendizado. As solicitações de bolsa para vir para o posdoc utilizaram o mesmo esquema. E aí é que vem o quanto nossa academia precisa aprender.

Fora a questão de que o avaliador usou o fator de impacto das revistas onde publico para medir a qualidade do meu currículo (o que absolutamente ninguém da área de altmetrics sugere fazer), questionaram a proposta, que não tinha o detalhamento da metodologia utilizada.

O que me parece, é que no Brasil você precisa descrever os microlitros e os passos (que muitas vezes são de kits com protocolo definido) de cada procedimento para provar que sabe o que vai fazer. As propostas que já vi de fora (e que submetemos com aval do supervisor), não. O foco fora é no que você vai fazer e o motivo disso, não nos passos da metodologia.

Se eu escrevo que vou obter sequenciamento do genoma através do método x, gerando n bibliotecas que analisarei da forma tal para chegar em tal ponto, está ok. No Brasil pelo jeito tenho que explicar todos os passos pois os avaliadores não acreditam que eu saiba o que fazer.

Pretendo seguir preparando propostas mais alinhadas com a forma mundial de ciência, até porque nossos projetos atualmente estão em consonância com novas parcerias internacionais. Mas nossa academia científica precisa mudar muito ainda. Isso se ainda existir academia científica nos próximos anos e se algo for feito para que os investimentos em ciência no Brasil sejam retomados.

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