Afinal, é Pazza ou Pasa?

Imagem panorâmica da cidade de Fonzaso, na Itália.

Nas redes sociais eu já uso Pasa há algum tempo, mas finalmente estou assinando assim em geral.

Tudo começou quando meu trisavô Francesco Pasa veio da Itália para o Brasil em 1877 (cem anos antes do meu nascimento). Ele chegou criança com sua família (Vittore e Maria) a partir de Fonzaso, província de Belluno, norte da Itália. Sabemos pouco sobre as condições pelas quais eles viajaram. Alguns familiares ficaram na região e outros vieram ao Brasil. Atualmente são poucos Pasa remanescentes na Itália, em especial na região de Fonzaso. Tive o prazer de conhecer uma prima, descendente de um irmão do Vittore nesta visita à cidade.

Francesco cresceu e se casou no Brasil. Dentre seus filhos, meu bisavô Paulo. Aqui começam os problemas. Paulo foi registrado Paulo Paza, com z. Não sei porque cargas d’água, meu avô Olivo foi registrado Pasa, corretamente, mas sua identidade era Paza, a forma como entrou no seu registro de casamento. Meus avós tiveram vários filhos, alguns foram registrados Pazza, outros Paza. Isso nunca consegui entender por que. Entre os que foram registrados com os dois z’s está meu pai e, por consequencia, eu e meus irmãos. É curioso, mas há outros descendentes de Francesco que também foram registrados com zz em outros lugares. Não consigo entender o motivo.

Bom, não seria um grande problema, afinal, entre os descendentes de europeus que vieram para o Brasil há inúmeros casos de mudanças de letras aqui e ali, italianos, poloneses, alemães. No nosso caso só tem um detalhe. Pazza em italiano tem um significado pejorativo. Significa “louco”.

No Brasil isso nunca foi problema, afinal poucos sabem e mesmo que saibam não associam muito pois lemos o nome como se fosse som de um z ou s entre vogais, tal qual originalmente. O problema é que temos duas filhas e minha esposa fez o reconhecimento da cidadania italiana, da qual também descende. Sendo assim, as nossas filhas são italianas e fica esquisito ser italiano com um sobrenome pejorativo (até o oficial do registro civil na Itália comentou que jamais deveriam ter deixado assim). Depois de algumas taxas e vários requerimentos em cartórios, consegui corrigir os nomes de meu avô, meu pai, o meu e das nossas meninas. Além de deixar de ter o tom pejorativo, agora estão mais fiéis às origens italianas.

Poucos documentos ainda restam para serem trocados, o que farei quando retornar ao Brasil. Minha principal dúvida agora é em relação aos próximos artigos científicos. Mudar ou manter? Eis a questão.

 

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