Conceitos básicos de genética – dominância incompleta e codominância

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Há muito tempo atrás comecei uma série de postagens sobre conceitos básicos de genética. Estou categorizando estas postagens como “Conceitos Básicos” para que futuras consultas possam ser feitas de modo mais fácil. Entrarão além de temas de genética, outros temas como biotecnologia, evolução e biologia molecular.

Na última postagem desta categoria, expliquei o que é a dominância completa. Expliquei que é a relação entre dois alelos, ou seja, o modo como a combinação de dois alelos vão funcionar determinando um efeito fenotípico. Lembrando que a explicação a partir do efeito de dois alelos vem do fato de em geral considerarmos no ensino de genética organismos diploides – cada indivíduo tem dois conjuntos cromossômicos, recebidos cada um de um de seus parentais em uma reprodução sexuada. Na dominância completa, os dois alelos interagem de tal forma que em heterozigose a expressão de um deles é “visível” fenotipicamente (o dominante), enquanto o outro fica escondido (recessivo). O heterozigoto é fenotipicamente idêntico e indistinguível do homozigoto dominante.

Dominância incompleta e codominância muitas vezes são confundidas. Isso acontece porque em alguns casos é complicado entender exatamente o que está acontecendo. O que ambas as interações tem em comum é o fato de que nestes casos o heterozigoto tem um fenótipo distinto dos homozigotos. Entretanto, o mecanismo que causa esta visibilidade do heterozigoto é distinto para cada uma das interações.

Na dominância incompleta, um dos alelos continua sendo recessivo. Ou seja, um deles continua se manifestando apenas se estiver em homozigose. O detalhe aqui que diferencia da dominância completa é que sozinho, um alelo não consegue expressar completamente a característica quando está em heterozigose, determinando um fenótipo incompleto, intermediário ou mesmo diluído. Você pode imaginar como se fosse quantitativo mesmo. Digamos que cada alelo dominante produza 1000 moléculas de enzimas que conseguem converter um precursor em pigmento vermelho na pétala da flor. Com os dois alelos em homozigose, são 2000 moléculas de enzimas, convertendo mais precursor em pigmento vermelho, resultando em uma flor vermelha. Entretanto, em heterozigose, com apenas um alelo, pouco precursor é convertido em pigmento e a flor não fica vermelha, fica rosa. Em heterozigose, um dos alelos permanece escondido (o recessivo), enquanto o outro se manifesta, mesmo que de modo incompleto. Por isso ainda temos uma relação de dominância.

Na dominância incompleta, a representação dos genótipos e fenótipos fica assim:

AA – flor vermelha

Aa – flor rosa

aa – flor branca

Na codominância é diferente. Não há alelos recessivos. Ou seja, quando em heterozigose, um deles não fica escondido enquanto o outro se manifesta. Em heterozigose, ambos se manifestam. Não há um recessivo. Até por isso a representação dos genótipos é diferente. Não temos simplesmente as letras maiúsculas e minúsculas. Temos uma letra maiúscula que representa o gene, com uma letra (ou conjunto) sobrescrita representando o alelo. O exemplo clássico é o grupo sanguíneo MN. Genótipo LMLM determina o fenótipo da pessoa que possui apenas o antígeno M. O genótipo LNLN, por sua vez, determina o fenótipo da pessoa que possui apenas o antígeno N. O heterozigoto LMLN apresenta ambos os antígenos, pois cada um dos alelos se manifesta de modo suficiente para determinar o fenótipo da presença do antígeno no glicocálice das hemáceas.

O sistema sanguíneo ABO é interessante para demonstrarmos que as interações alélicas podem ser mais complexas. Neste caso, não temos apenas dois alelos, temos três. Ora, mas como assim, não veio um da mãe e um do pai? Sim, cada indivíduo diploide tem dois alelos. Mas tem uma combinação possível de dois alelos dentre os três que existem. Neste caso temos codominância entre os alelos IA e IB e dominância completa entre os alelos IA e i, e IB e i. Veja que agora na representação temos as letras maiúsculas com as letras sobrescritas e mais a letra minúscula, que representa o alelo recessivo, aquele que só se manifesta em homozigose. Genótipos e respectivos fenótipos ficam assim:

IAIA – Tipo A
IAIB – Tipo AB
IAi – Tipo A
IBIB – Tipo B
IBi – Tipo B
ii – Tipo O

Assim, estas são as formas como dois alelos de um gene interagem para determinar o fenótipo em um organismos diploide. O segredo é olhar para o heterozigoto. Tem fenótipo idêntico a um dos homozigotos? É dominância completa. Tem um fenótipo intermediário ou diluído? Dominância incompleta. Manifesta ambos os alelos? Codominância. Espero ter esclarecido mais do que confundido. Até a próxima.

 

 

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